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quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Poemas de Ondjaki
Prendisajem
o tomate avermelha mundos.
o cheiro da terra perdoa constipações.
folha é parede verde
para sol chegar.
flor é uma outra narina de abelha.
alcunha de qualquer jardim
é biolabirinto.
a exagera em
amizades com a merda.
o pirilampo é a lanterna do poeta.
o porco-espinho exagera em
modos de precaução e
a mandioca tuberculiza o chão.
...
o cheiro da terra rejuvenesce a humanidade.
Arve jánãoélógica
ser folha é
nem sempre estar para sol.
a outra folha
lém de nossa vizinha
pode ser nossa irmã de sombras.
a folha
enquerendo ser lago
acontinenta o galho.
o galho
ensendo fio de cabelo
gentifica a arve.
a arve
de tanto ser ela
lembra um sorriso quieto.
lém de transpirar
bonito é que ela respira.
Penúltima vivência
quero só
o silêncio da vela.
o afogar-me
na temperatura
da cera
quero só
o silêncio de volta:
infinituar-me
em poros que hajam
num chão de ser cera.
Ondjaki, Poeta Angolano, do livro "Há prendisajens com o xão (o segredo húmido da lesma & outras descoisas)".
Poemas de Maiakóvski
Balalaica
Balalaica
[budto laiem oborvala
scrípki bala
laica]
[s laiem oborvala]
oborvala [s laiem]
[láiki bala]
láicu bala
laica
1913
Balalaica
[como um balido abala
a balada do baile
de gala]
[com um balido abala]
abala [com balido]
[a gala do baile]
louca a bala
laica
(Transcriação de Augusto de Campos)
Istchérpivaiuchaia Cartina Viesni
Listótchki.
Póslie strótchec lis
tótchki.
1913
Quadro Completo da Primavera
Folhinhas.
Linhas. Zibelinas só-
zinhas.
(Transcriação: Augusto e Haroldo de Campos)
Iech ananáci
Iech ananáci, riábtchicov jui,
Dienh tvoi posliédnii prihódit, burjui.
1917
Come Ananás
Come ananás, mastiga perdiz.
Teu dia está prestes, burguês.
(Transcriação de Augusto de Campos)
Vladímir Vladimirovitch Maiakóvski (1893-1930), "o maior poeta russo moderno", segundo Haroldo de Campos.
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